Gratidões.

25 de junho de 2013
Melhor do que ninguém, eu sei que a vida não tem sido fácil desde o início deste ano que, veja bem, já está na metade. Decidi, desde o princípio, que esse ano seria decisivo na minha vida, mas quem disse que é fácil fazer escolhas? Não é, pelo simples fato que escolher significa deixar algo para trás e neste caso algo quer dizer coisas, pessoas, lugares e circunstâncias. Logo eu, tão apegada a tudo que me cerca. Fiz mais uma escolha, diga-se de passagem, importantíssima: entregar na mão de Deus e acreditem, isso é muito, mas muito mais difícil do que parece ser e eu aprendi isso há alguns anos atrás, escutando conversa “alheia” durante um almoço, não era pra mim, embora seja grande a possibilidade de que eu aprendi mais com aquela frase do que quem era pra aprender, de repente o Michel disse: “você e todo mundo tem que aprender uma coisa, quando você entrega uma coisa na mão de Deus, você deve deixa-la lá, porque Ele cuida. Se você ficar tirando o tempo todo, isso nunca vai se resolver, nunca.” Eu engoli aquelas palavras a seco e agora, depois de tanto tempo, elas fizeram digestão. Quando dei por mim, me vi um pouco sem chão e me perguntava todo tempo: Onde estão aqueles que disseram que cuidariam de mim? Pois é, em qualquer lugar fora do meu alcance. Vi que era eu por mim mesma. Vi gente que eu nunca quis ter longe, indo embora sem sequer me dar uma explicação, mas a noite quando coloco a cabeça no travesseiro, a resposta vem, talvez sejam essas as respostas para as minhas orações. Não foi fácil. Só Deus sabe quantas vezes eu tive vontade de desistir, quantas vezes eu chorei tentando achar uma resposta, quantas vezes eu acordei e quis jogar tudo pro alto, quantas vezes fazia tudo no automático porque era preciso. Mas, a minha fé era maior que qualquer energia ruim, desaforo, medo, angústia, desanimo, cansaço, insegurança ou dúvida. Eu creio no Deus do impossível, eu oro e peço à Ele todas as bênçãos da minha vida. É nEle que às recebo. Sou mimadinha sim, filhinha do Papai, a Menina dos Olhos dEle.
Eu tive que abrir mão do trabalho ao lado de pessoas que eu quero bem, tenho minhas dificuldades como qualquer pessoa normal convivendo com outras pessoas igualmente normais, cheias de imperfeições e qualidades, educação que nada se parece com a que você recebeu em casa, mas bem quistas, oras, que te fazem rir ou suspirar de raiva, mas que te aturam, dão força, empurram pra frente, te fazem pensar e te ensinam muito sobre relacionamentos saudáveis e convivência. Foram quase dois anos em que me submeti ao aprendizado diário de paciência, carinho, simpatia às 9 horas da manhã mesmo quando você não dormiu bem, está cansada, preocupada, com medo ou desejando estar em qualquer outro lugar que não ali. Aprendi a me relacionar de igual para igual com pessoas de patamar superior e inferior e quantas vezes não pratiquei, também, humildade? Fiz-me inferior só para que alguém supostamente superior se sentisse melhor. Não é bom ser capaz de fazer alguém se sentir melhor? Vi almas grandes, nobres passarem por mim, bem como pessoas pequenas e cheias de mesquinharia levantarem a voz. De que adiantou? Não sei. Contei até 10, 30, 100, 1000 e respirei fundo. Levantei e algumas vezes deixei a pessoa falando sozinha. Algumas vezes fui pra cozinha chorar e recebi o consolo de quem menos esperava, outras vezes fui até o banheiro para ser mais discreta e usei a desculpa de ter ido retocar a maquiagem. Aprendi que tem coisas que devemos dizer na hora, outras que devemos dizer depois que a raiva passe e ainda, aquelas que devemos deixar para lá, porque nada nos irá acrescentar, apenas magoaria desnecessariamente pessoas com as quais você, no fundo, se importa. Aprendi a esquecer. E desenvolvi também, muitas técnicas para lembrar... nomes, sobrenomes, telefones, endereços, formas de tratamento, tarefas e desculpas perfeitas e funcionais para as mais diversas situações. Aprendi competência, agilidade, compreensão. Aprendi muito sobre minha futura e tão amada profissão e também, sobre moda, finesse, sofisticação, por que não?
 Eu dei um tiro no escuro e teve uma hora que eu senti tanto medo de estar errada que na primeira oportunidade voltei atrás, mas eu não me sentia plenamente satisfeita e me dei conta de que aquele medo era normal e que na verdade, eu estava fazendo a última coisa que deveria fazer: tirar as coisas das mãos de Deus. Num exercício de humildade, devolvi. E hoje? Hoje eu senti uma imensa vontade de agradecer. De abraçar o mundo, tomar nos braços, olhar nos olhos de Deus e de algumas pessoas e dizer: Muito obrigada. Tem gente que sem ao menos se dar conta é presente, grata surpresa, embrulhado com uma fita branca, delicada e discreta, que você se surpreende ao abrir e de repente encontrar um afago, na alma. E como é bom se dar conta dessas coisas, né? Uma palavra simples que devolve um  sorriso de paz e a sensação de que seu dever foi cumprido. 

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