12 de dezembro de 2009

A espera.

Como eu ando sem criatividade e não suporto a ideia de abandonar o "Pequena" eu resolvi fazer uma nova releitura do Capinejar, por que ele tem talento.

Tudo acontece tem um propósito e você, é o meu.

Não me importo de esperar você decidir entre ver jogo no sofá comigo, ou no estádio comigo. Não me importo de esperar as prorrogações que me agoniam infinitamente para que você só então possa dizer: "Eu te amo, você é a minha pequena."  Não me importo de esperar você terminar a sua tese gigantesca para defender aquilo que você acredita, para então dizer que eu concordo com você, porque é muito bom ouvir a sua voz e o seu jeito de “Yes, baby. I’m correct” é muito sedutor. Não me importo de esperar o ano inteiro para ouvir de novo o discurso de almas gêmeas no dia do nosso aniversário. Não me importo de esperar ansiosamente o seu dia de trabalho terminar para poder perguntar como tudo aconteceu. Não me importo de esperar a chuva passar espremida no seu abraço que me traz segurança. Não me importo de ter esperado dois anos de convivência com você para descobrir que sim, você é o homem da minha vida, você será o pai dos meus filhos. Não me importo de esperar a aprovação dos seus amigos e nem de ter que sorrir pra eles. Não me importo de ter que esperar você terminar de comer a pizza de marguerita para dizer que esse não era o meu sabor favorito. Não me importo de ter esperado 16 anos da minha vida para descobrir o significado da palavra amor, porque eu descobri do seu lado e isso torna as coisas mais prazerosas. Não me importo de esperar a vida toda pra te ver sorrir. Não me importo de esperar você checar se as coisas estão do seu jeito, exatamente do seu jeito. Não me importo em esperar você terminar de dizer que eu tenho nome de traveco para te encurralar com uma piadinha bem pior. Não me importo em esperar que você pare de enumerar meus mil defeitos de garota mimada se depois disso vier aquele: “Mas eu te amo de qualquer jeito e ainda assim você é tudo que eu sempre quis.” Não me importo nem um pouco de esperar que você termine o seu discurso ateu, se depois dele você dizer que foi Ele que nos aproximou. Não me importo de esperar a noite toda velando seu sono e contando quantas vezes você chamou meu nome. Não me importo de esperar você contar todos os seus problemas para eu poder afirmar que tudo vai dar certo, porque você me ensinou isso. Não me importo de esperar que o filme acabe para namorar. Não me importo em esperar você dormir para te cobrir outra vez. Não me importo em esperar você assistir os programas de esporte para depois dar uma volta. Não me importo de esperar que você responda as mensagens que você demora anos para checar. Não me importo de esperar todas as escalas de vôos, porque quando eu chegar em casa, você vai me abraçar e me levar pra caminhar de mãos dadas. Não me importo de esperar que o ciúme desapareça e volte a me ver como eu de fato sou, somente sua. Não me importo de esperar tocar a nossa música no show, para depois voltar para casa, mesmo estando exausta e mesmo que essa música seja a última. Não me importo de esperar a sua euforia ou raiva passar quando os nossos times se enfrentarem e o resultado não for um empate. Não me importo de esperar você chegar de viajem para mostrar as mil coisas que eu fiz enquanto a saudade me consumia. Não me importo em esperar um elogio. Não me importo em esperar quando você pede para que eu o faça. Não me importo em esperar que sua ex saia da mesa, para que você cante pra mim: “Não se ofenda com meus amores de antes, todos tornaram-se ponte pra que eu chegasse a você” ♫. Não me importo de esperar a revelação da surpresa. Não me importo de esperar suas discussões bobas, nem o seu silêncio. Não me importo de esperar você recuperar o fôlego para perdê-lo em outro beijo. Não me importo de esperar você sorrir sem graça depois de uma piada do mesmo gênero.
O que eu quero dizer é que você não precisa ter pressa. Nunca estará atrasado, porque eu espero a vida inteira por você, se necessário.

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"A razão de machucar tanto essa separação é porque nossas almas são conectadas. Talvez sempre foram e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez em cada uma delas, nós fomos forçados a nos distanciar pelas mesmas razões. Isso significa que este adeus é um adeus pelos mil anos passados e um prelude do que virá. Quando eu olho para você, eu vejo sua beleza e graça e eu sei que ela aumentou a cada vida que você viveu. E eu sei que eu gastei cada vida antes dessa procurando por você. Não alguém como você, mas você. Porque nossas almas sempre devem estar juntas. E por alguma razão que nós desconhecemos, fomos forçados a dizer adeus. E eu posso te dizer que o tudo estará trabalhando por nós, e eu prometo e farei de tudo para me certificar disso. Mas se nós não nos encontrarmos mais e esse for verdadeiramente um adeus, eu sei que nós nos veremos outra vez em uma outra vida. Eu sei que nós nos encontraremos em outra vida. Nós vamos nos ver de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós nos amaremos não só por essa vida, e sim por essa e todas as outras que vivemos antes."

The Notebook


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Possivelmente para vocês a minha releitura não tenha nada a ver com o trecho na íntegra do Filme, mas... quem tem que saber, sabe que tem muita ligação. Sinto saudades do nosso cantinho!
Beijos pra vocês amados. Agora que estou de férias vou me empenhar mais pra ficar por perto.


Pequena.

28 de novembro de 2009

Parte II

(...)

A sensação de vê-lo morto caído em meio ao deserto, cercado pelo vazio não me era nem um pouco formidável. Para ser sincera e talvez um pouco mais exata eu tive medo, uma sensação de impotência me invadiu, embora eu fosse capaz de reverter todo aquele processo, eu me sentia impotente. O bem sempre deve vencer o mal. E o mal naquele momento se fantasiava de bom, o jovem morreu acreditando que tinha sido salvo por um anjo, pobre alma. A minha vontade era de mostrar a ele tudo o que ele merecia saber, mas eu não poderia, estava no estatuto celestial que anjos não podem fazer confissões aos humanos, eu poderia ser expulsa e isso não  me convém.

O calor era insuportável até para mim, uma criatura alada. Procurei uma forma de encontrar o meu superior e mostrá-lo que ainda não era a hora,  de esclarecer o que naquele momento estava envolto por uma nuvem negra. Queria mostrar que a ida do jovem, para onde quer que fosse, faria outras se perderem, ele não sabia, mas sua existência era algo crucial para algumas vidas humanas. Eu vi aquela criatura indo embora montado ao cavalo e não fui vista, esperei ela tomar uma distância de segurança, me sentia frágil e incapaz (embora não fosse a verdade, era o que eu sentia) de lutar com ela, me aproximei do corpo e percebi que a alma ainda estava presa a ele, a alma do jovem era brilhante e reluzia para quem quisesse ver, minto - para qualquer criatura celestial que quisesse ver, debrucei sobre o corpo e era impossível não chorar, ele tinha sido enganado, acreditava que sua alma havia sido entregue aos anjos. De qualquer forma, não completamente enganado. Debruçada sobre o corpo, chorando sobre a face dele via minhas lágrimas se misturando ao suor sofrido que havia nele. Almas entregues em forma de oração - que seja feita a sua vontade - são almas salvas. 

Costumo ser chamada de ousadinha por outros seres celestiais, tudo deve-se ao fato que eu não posso apenas observar nada de longe, nada do que fora entregue em minhas mãos, exceto as coisas que me fazem sentir incapaz, embora eu enfrente qualquer inferno que for preciso. Afinal a minha missão é lutar pelo céu e inferno de cada dia. O meu superior ouviu finalmente ao meu chamado e eu dei minhas explicações, eram necessárias já que ele era cabeça dura e eu não tinha muito tempo, não sabia por quanto tempo a alma estaria presa ao corpo, estaria ali pronta para desfazer todas as coisas que aquela criatura havia feito. 

Permissão concedida.

Confesso que me faltou força, por um instante. O brilho que reluzia da alma em forma de socorro me deixou sem reação. Me ajoelhei diante do jovem e depositei minha mão sobre o seu coração, na língua dos anjos fiz todas as preces e o devolvi a vida. Ele abriu os olhos, embora não pudesse me ver, um sorriso saiu do seus lábios e foi um grande alívio para mim. Trouxe o cavalo de volta, montada nele. Expulsei o mal daquele lugar, o jovem pensava que a moça se chamava Luana, ilusão, era Lúcifer.Tudo o que eu poderia fazer eu fiz. Me ajoelhei diante dele outra vez, após trazer o cavalo. Toquei a alma, senti a textura da inocência que a tempos não sentia e o brilho no olhar, a volta a vida,  a felicidade era algo que nenhum mal no mundo seria capaz de levar embora outra vez. 

O céu tinha dado a ele uma segunda chance. E Lúcifer outra vez havia perdido. Sempre nas formas mais encantadoras enganando os que não o conhecem. Mas diante da palavra de Deus, todo mal será vencido. Lúcifer havia sido expulso do paraíso por ser fraco e por não merecer todas as vitórias que ele teria se continuasse do lado do bem. 


Se Deus é por mim. Quem será contra mim?

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Esse texto eu escrevi pro meu amigo, Rapositcho! HUAHUAUHAHU não me mata! ¬¬ Porque ele se matou no texto do "Horse with no name" e eu prometi a ele que eu o ressucitaria. Eu demorei, mas você está vivo outra vez. E tem uma coisa que ele já disse que admira em mim, a minha fé. Então... resolvi usar uma dose dela pra homenageá-lo. Amiguinho, obrigada pelo que você fez por mim essa semana. Vou tomar vergonha na cara e responder todo mundo.

 

 






 

 

 

21 de novembro de 2009

E o vento...



















Não levou
. A lembrança é permanente.


Três é um número em que o coração nunca se divide. Pude ter certeza disso quando naquela noite, observando as pessoas naquele bar um casal me chamou a atenção. Os olhos tristes dela estavam em outro lugar, ou talvez tão ali que eu não pude entender, dentro de pensamentos íntimos. Anna era possivelmente o nome dela. Ele tinha um quê de Frederico e era, ela gritou Fred. O tom de voz dele estava notavelmente chateado, conturbado. Como quem desejava, necessitava, exigia ser amado e definitivamente não era, pude perceber tudo isso quando ela foi se levantar para cumprimentar duas pessoas que haviam acabado de chegar no ambiente e ele a segurou pelo braço, de maneira grosseira, quis me meter mas não era possível. Cupidos não tocam em ninguém, miram suas flechas apenas de longe e o que tiver de ser, certamente será. Agora estou me recordando, era Anna o nome dela, era sim. Que memória horrível a minha. Mas depois de sentir o braço seguro de forma grosseira em meio a mão grande dele, ela olhou para trás, os dois se aproximavam e ela murmurou: Me solta... Tão baixo que talvez ele não a tenha ouvido, leitura labial era algo impossível pois era escuro o ambiente, os cochichos e a banda tocando ao fundo não ajudavam em nada na audição, eu garanto porque estava lá a procura de outras vítimas. Mesmo sem ouvir o que ela havia dito e nem ter percebido que a Anna, loura dos cabelos curtos e sorriso atraente, havia dito ele perguntou: Você o ama, ainda o ama não é? Num único movimento, brusco como haveria de ser ela se soltou dele, titubeou em dar a resposta. Ela não era do tipo que gostava de machucar, não queria iludir, não queria mentir. Naquele momento quis se enfiar no meio daquele mundaréu de gente e partir, sem ao menos dizer adeus. Mas, essa não era a educação que ela havia recebido de seus pais. Ah, seus pais! Vítimas minhas, das antigas. Do tempo que eu não errava uma, assunto pra outra história. Frederico ainda tinha uma última esperança, que em meio aqueles lábios suculentos saísse um, só um: Não. O esqueci desde que te vi. E foi com uma frase, que ela matou a última esperança, não sei se parecia um soco brutal ou um tiro falta, mas foi só assim: Sim, o amo. E a alma dele murchou de uma vez só, pude ver ainda que de longe, coitado. Um mal amado a minha espera, só mais um. Só? Além de desmemoriado estou ficando maluco, existem tantos nesse mundo de meu Deus. Eu pude ver também um nó subir pela garganta dela, ela não queria ter feito aquilo. Não era de fato o gênero dela, tão meiga e tão mulher. Estonteante, estonteante sim. Se eu não fosse cupido e não soubesse que essa história de tampa da panela existe mesmo, eu estaria acidentalmente apaixonado por Anna, naquela noite. Mas, cupidos são as frigideiras, sem tampas, sem sexo, sem sorte. Escrevo tudo no masculino porque não deu vontade de escrever no feminino, tão simples. Anjos, cupidos e arcanjos não têm sexo feminino ou masculino, não se esqueça querido, ou querida? Você tem, não tem? Voltando a querida, encantadora, fascinante e maluca Anna, esses são adjetivos que ali só cabiam a ela, tanta gente vazia que eu tive vontade de correr daquele lugar imundo, imundo de gente e não de limpeza, ah! Vocês humanos nunca me entendem. E a culpa sempre é minha. Sempre me zoam. Ah, humanos. Anna o amava tanto e quando o viu ali, vestido com aquela roupa fina, tão linda, ficou maluca. Saiu andando na direção dele, como se fosse ao toalett, não daria o braço a torcer e quando finalmente se esbarraram olhou com cara de espanto (Anna, ótima atriz): Você por aqui, Jorge? Que bons ventos o trazem? A atuação durou tão pouco tempo, ela não se segurou, o abraçou pra sentir de novo o seu coração bater inteiro dentro do peito, metade dele, metade dela. Jorge afagou os cabelos louros dela, ele também sentia saudade, ele também tinha boas lembranças. Por aí, você já pode ter certeza que às vezes eu ainda acerto, não é? Diga sim, por favor. Meu ego anda tão arruinado ultimamente. Jorge perguntou se ela estava sozinha, mesmo ele não estando. Nem preciso contar que a morena que o fazia companhia (desnomeada, meu bem) não gostou nada do pseudo encontro casual de Jorge com a Ex em meio ao barzinho mais agitado da noite paulistana, não é? Ok, vocês humanos às vezes me compreendem facilmente, grife às vezes. Não é sempre, não mesmo. Anna o amava tanto, o queria tão bem que até seu semblante mudou ao reencontrá-lo, sorria para o nada, para o vazio das pessoas que se encontravam naquele lugar lotado. Fred não conteve o impulso e quando viu que ela ficaria mesmo perto do ex, resolveu convidar o casalzinho vinte e a desnomeada para sentar-se ali. Onde estava Anna e ele anteriormente, foram os quatro. Ele não era má pessoa, conheço milhões de garotas no mundo inteiro que dariam a vida para estar com Fred, não seja hipócrita, você certamente é uma delas. O moço era apresentável, educado e só um pouco grotesco, só quando seu ponto fraco era cotucado. E como mulheres adoram fazê-lo, não? Detesto parecer fofoqueiro, mas às vezes as mulheres falam umas coisas no banheiro que me deixam atordoado, não queira nunca você homem entrar num banheiro feminino, a última coisa que elas falam é sobre futebol. A menos que o astro do momento seja um jogador super-hiper-mega-maxi gostoso, é assim que elas falam, queridinho. Odeia ser chamado assim? Foda-se. Odeio quando me chamam de tantas coisas e vocês nunca param. Foi ao banheiro que Anna e a Morena sem-nome foram, Anna que parecia ter uma pimenta na língua logo cutucou: Tá pegando o Jór? A morena enquanto tirava a maquiagem de dentro da micro bolsa, olhou-a com cara de quem tinha comido pepino estragado: Qual foi, tá com ciúmes? O Fred é um bom partido. Foi o que eu disse, Fred não era qualquer coisa, mas não era o que Anna queria e Anna não se conforma com as coisas pela metade, ou tudo ou nada. E devo ressaltar que a mãe dela também era assim, até que encontrei o encaixe - o pai. Tudo que Anna sabia sobre o amor de homem e mulher ela havia aprendido com Jorge, seu primeiro (e diga-se de passagem, único) amor.
Anna aprendeu a se preocupar, a acordar as três da manhã só pra ler aquela mensagem que ele mandava todas as madrugadas, aprendeu a sorrir com a alma e entender o olhar, por mais rápido que ele fosse, era o suficiente. Aprendeu que namorar o cara certo, nada mais é que beijar e dormir com o melhor amigo, era uma coisa além do que todo mundo pudesse entender e todo mundo sabia. O mais importante que ela havia aprendido era que o amor não era feito de cobranças, não era uma exigência, simplesmente acontecia. Depois é claro da minha flechada fatal, mas nada que os humanos fossem capazes de entender, embora esteja lhes contando agora. E Fred fazia muitas cobranças, exigia ser amado. Coitado. Exigia porque Anna não era pra ele, se fosse não precisaria exigir, eu atiraria a flecha e pronto, seria amado. Não precisa-se de razões para o amor, precisa-se de flecha, mira e só. Vocês que complicam, esperam, exigem, me chateiam e acabam me apressando, fazendo assim que eu só faça coisas erradas (e tome bronca depois, o que me deixa irado.) Não queira nunca ver um anjo irado. As duas bonecas voltaram a mesa e foi quando eu resolvi atacar, Fred já tinha entendido que havia perdido, um a menos. O sorriso de Anna brilhava de orelha a orelha, parecia uma luz em meio aquele lugar escuro. Procurei uma posição boa e, bem só fiz o que deveria ter feito a muito tempo, juntei a morena com o tal do bom partido. Não demorou muito pra conversa fluir, não demorou muito pra Anna começar a rir das piadas do Jór, ah! As piadas do Jór... vieram os suspiros e cada um voltou pra casa sozinho, mas com o coração completo. Como haveria de ser sempre se vocês não complicassem tanto. Vale lembrar que rolou até aquela mensagem no meio da madrugada, eu não li porque é falta de educação, mas deve ter sido bom, ganhei quatro sorrisos e quatro agradecimentos indiretos.

14 de novembro de 2009

As meninas dos meus olhos,

Todo mundo tem "as meninas" dos próprios olhos e eu na verdade tenho cinco. Duas que brilham de felicidade pelas outras três, que possuem brilho próprio.
É sempre uma árdua luta da minha parte para descrevê-las, mas nunca me darei por vencida. As meninas dos meus olhos merecem todo e qualquer esforço e só conhecendo-nas pode-se entender o porquê isso não deve soar apenas como um lugar-comum. "Ela, a outra e eu" não saem da minha cabeça, do meu vocabulário e Deus queira que não saiam nunca da minha vida.
Ela, possui um brilho nos olhos que é capaz de estontear cada um e visto uma vez, nunca se esquece, tem uma maneira única de sorrir, assim com os olhinhos apertadinhos, os lábios dilatados e a alma toda pra fora, esse sorriso ilumina a minha vida, desde o dia que conheci ela. De olhar, ainda que de longe... dá vontade de tocar, de amar, de não sair de perto. E mais do que isso, mas eu não queria falar da vontade de proteger, que é bobagem, pois ela é um anjo. Ainda que eu não veja tuas asas, já te vi alçando os voos mais bonitos do meu céu. E foi num destes que ela me trouxe "a outra e eu" pra perto de mim.
A outra, você pode ver? Diga-me, por favor, que eu não estou sozinha, diga-me que você também é capaz de enxergar esta alma transparente, pura? Tenho vontade de me sentar a frente da outra e me calar, de olhar até dar vertigem até eu ver o mundo a minha volta acompanhando os teus movimentos. Meu hobbie é encontrar almas que se pareçam com a minha e eu encontrei a outra. Se a outra rugir enquanto você se aproximar estenda a mão e mostre que você não quer nada além do bem e a outra não será capaz de te fazer mal. Após contemplar um pouco você a verá sorrir e perceberá que ainda que o primeiro rugido assuste, tudo vale à pena. E essa Leoa não será nada além de uma gatinha mansa que só quer o teu carinho.
Eu, não sou eu. Embora, nós possamos dar as mãos e caminhar juntas por uma praia, numa rua, numa galáxia qualquer. Porque nós temos muito em comum, muito para conversar. Eu posso me ver ali, como se diante dela (ou de mim) eu visse minha história clara, como a luz do lua. Quantas luas, não? E por ver-te em mim que receio tanto em escrever e acabar contando alguns segredos que não são só meus. Mas, olhe para os olhos dela, eles podem ver coisas que vocês não vêem e podem entender coisas que vocês não entendem. A eu também tem asas, embora ainda precise de coragem pra pular do sexto andar e ainda tem quem lhe segure as mãos caso sinta medo, mas aspira liberdade assim como eu. Eu me perdi nas palavras pra falar, não sei se estou falando da eu ou de mim, quem sabe não seja a mesma coisa?
O que realmente importa de tudo isso é que no fim "Ela, a outra e eu" se completam e vieram para me completar também, talvez você seja o próximo. Uma amizade assim dura para a vida toda, quando tudo se mistura eu não sei se tenho orgulho de vocês ou de nós.


Joyci Dias.




"Quando penso nas possibilidades de encontros percebo que este já estava previsto, vejo o sucesso dos nossos planos e um futuro com todas as formas possíveis juntas: ela, a outra e eu." (Michelly Barros)



Comunidade no orkut ~ Twitter

Tudo bem que eu sou a pessoa mais suspeita do mundo pra falar desse livro, mas eu tenho certeza absoluta que ele será perfeito. Lançamento pro dia 9 de dezembro, na Livraria da Travessa, no Barra Shopping a partir das 19hs. E exemplares serão vendidos pela internet.

8 de novembro de 2009

Absurdamente gente. ♥

Conheci em meados de novembro do ano de 2007, através do magnífico Orkut, com aquela história do Caio que eu só vim a descobrir tempos depois, uma alma especial reconhece de imediato a outra. Mas se você quer saber o porquê de tudo isso, só tem uma explicação: Os planos de Deus. Você consegue imaginar outra possibilidade se não os planos Dele? Eu não. E eu sei que você também não pode, já que não existe, eu te conheço. Conheço decór teu jeito de se expressar, conheço o seu jeito de sorrir com os olhos deixando tuas bochechas ainda mais ressaltadas e apetitosas, conheço seu jeito chateado quando diz que estou sendo fria e distante, mas também conheço seu jeito preocupado quando sou eu quem digo isso.
Está para nascer alguém que mergulhe assim como você, tão sem medo no meu oceano de invenções, está para nascer alguém que tenha as coisas que eu defendo como lei, assim como você, que me acredite (até quando eu duvido). Alguém que me defenda, que me ame, que me espere e que leia a minha alma através do meu sorriso como você. Alguém que com uma sms sem dizer quase nada diga tudo o que eu preciso ler/ouvir: você não está sozinha no mundo, eu estou aqui. Ainda que não com essas palavras. E o que são as palavras que saem de dentro de ti? Me deixa orgulhosa em poder gritar se for preciso pro mundo inteiro: É MINHA AMIGA, PORRAAAA! Eu não sei se você consegue ver, mas essa criatura tem uma alma tão pura, tão livre de todos os preceitos do mundo que dá vontade de pegar e guardar num potinho, de tocar e de apertar, mas não é visível, não é palpável e não pertence só a mim, mas me pertence e quando eu estiver vendo ela no topo do mundo eu vou poder dizer: Faço parte dessa história. História? Por Deus, quantas histórias. Você me deu o melhor presente do mundo, o presente de 15 anos que de vez em sempre eu paro pra ver de novo, ler de novo, tocar de novo. Porque cartas não são feitas pra mandar notícias, cartas são feitas para os corações se tocarem enquanto a mão segura e os olhos vasculham o papel. Você me disse uma vez que os sonhos são possíveis de se realizar e foi além das palavras. Você realizou o sonho que eu tive com você. Você é tão perfeita que eu não tenho palavras a tua altura pra descrever-te. E eu sei que você é capaz de conquistar cada um que esteja a tua volta. Você é tão minha que eu te sinto dentro do meu coração enquanto eu escrevo pra ti, sinto você batendo na portinha dele e dizendo: Ei, não precisa falar mais nada, só me abraça Love! Porque somos conscientes de que um abraço vale mais do que essas palavras todas, que elas não seriam necessárias se a gente pudesse olhar uma nos olhos da outra e falar: Boneca. Só que nós também estamos cientes de que isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde eu vou te encontrar e faremos a festa que a nossa alma (especial) merece por termos nos encontrados.
Eu só escrevi esse montão de coisa, desorganizado e tudo mais. Para que as pessoas que ainda não sabem o que significa a expressão “MUITO GENTE” poder entender o que é, porque eu não teria uma explicação melhor para uma muito gente do que você.
Nem o Bruno, nem eu, nem qualquer outra pessoa no mundo é mais gente do que você. Porque você é tão gente que se doa pelo outro, que não se importa em perder um tempo de você com você para lutar pelo sonho de alguém, porque você faz as pessoas se sentirem importantes não com presentes caríssimos e de marca, mas com as coisas que saem da tua alma, ser muito gente não tem de fato uma definição no dicionário, mais se precisasse de um sinônimo eu não hesitaria em colocar: FERNANDA.

Te amo, Fer. Te amo, Nanda. Te amo, quase. Te amo, baêana. Te amo, Sex. Te amo, Leal. Te amo, a bruxa. Te amo, Bambyzinha. Te amo, neném. Te amo até do avesso.

♪ Qualquer dia amiga a gente vai se encontrar. ♫

Obrigada Deus por mais este presente que veio dos céus, que veio das Tuas mãos.

Da sua Boneca, da sua escritora, da sua bebê.

3 de novembro de 2009

A Rosa quer dizer.

Engoli todo aquele orgulho absurdo para então vir falar para ti, meu Pequeno Príncipe. Quando partistes para a Terra eu não fiquei muito feliz, ficar só nesse planeta tão pequenino quanto você e eu não me soou como uma boa ideia, aprendi o significado de uma palavra até então desconhecida por mim: Saudade. Saudade complica tudo, saudade faz um dia parecer um ano e um ano parecer um século, ainda mais quando as coisas por aqui se encontravam num vazio profundo e tudo a minha volta parecia preto e branco, saudade é tão ruim parece o bicho papão e eu acreditava a todo instante que ela estava prestes a me engolir. Cadê a redoma? Cadê o Pequeno Príncipe? Eu só conseguia sorrir quando as noites estreladas me diziam que eu poderia ficar tranqüila e que você estava bem, dava pra enxergar perfeitamente o brilho do teu riso nas estrelas, iluminavam a minha noite e assim eu descansava em paz. Saudade não deixa a gente em paz, parece que não sossega enquanto não rói todo coração e deixa ele em pedacinhos, bem pequeninos, do tipo que pra colar precisaria de uma cola muito boa... como é que é o nome? Amor. Dizem que é a melhor cura pra corações em pedaços. Com a sua estadia na Terra, deixei de lado meu jeito: “firo facilmente”. Não quero nunca ferir a ti, pequenino. Mas, o orgulho só engulo agora, pois não seria a tua rosa se eu não fosse como eu sou. Pensei que você pudesse nunca mais voltar, fiquei muito mal com a probabilidade de você encontrar milhares de outras rosas e quem sabe me trocar por alguma delas, afinais por fora somos todas iguais, com a diferença de que umas têm mais espinhos e outras menos. Mas, tu pequenino... me ensinaste uma coisa muito linda com o teu retorno, vieste com aquela história de raposa, cativar, invisível, responsável, única, vieste com uma outra visão do mundo, que fez tudo ficar diferente e melhor, quase morri do coração quando me contastes do jardim com milhares de outras rosas e o que tu dissestes a ela: Não se pode morrer por ti, não cativastes ninguém e ninguém vos cativou. Se pode morrer por mim, pequenino? Porque ao que você me explicou, cativamos um ao outro, necessitamos um do outro e somos responsáveis um pelo outro, gosto de ser responsável por ti, gosto de poder dizer que o que eu sinto por ti é amor e que sois único no mundo para mim, gosto de te ouvir contar as tuas aventuras na Terra e gosto de quando dizes em voz alta, como se todos os planetas pudessem ouvir: Foi o tempo que dediquei a minha rosa que a fez tão importante. Gosto da lição de que não se pode ver bem com os olhos, que o essencial está invisível diante dos olhos, gosto de quando me protege e cuida de mim, mas a lição que eu mais gosto eu tive que aprender sozinha, aprender na tua ausência que os verdadeiros amigos são o maior tesouro que a vida nos traz, aprendi que as verdadeiras amizades são eternas e isso só descobri quando voltastes, porque me contastes da tua constante preocupação comigo lá na Terra, gosto de pensar que ainda que meu coração se fira sempre terei você por perto pra curar, gosto de pensar que meu humor sórdido não te preocupa e que você gosta de mim da maneira que eu sou, gosto de pensar que nem uma galáxia inteira é capaz de destruir um sentimento tão puro quanto o nosso, sou grata por teres me perdoado por todas as minhas tolices e infantilidades e gosto muito quando me chama de: minha flor, meu bebê.

Da sua, tão somente sua... Rosa.




Depois de mais de 15 dias sem postar eis que surge a margarida, ou melhor... A Rosa, é... meu melhor amigo me chama assim e eu o chamo de Pequeno Príncipe, ou melhor dizendo: PP. E essa "carta" eu fiz baseada no livro, mas pensando o tempo todo nas histórias que a gente vive. Só Deus, ele e eu podemos entender o sentido total desse texto. Mas, eu precisava postar alguma coisa, né? Saudade de vocês, meus amores! Vou jantar e depois respondo-lhes!

Te amo Guilherme Gouvêa, meu PP/GG! Pra sempre, sempre, sempre, sempre e sempre. ;) Até perder o coração parar de bater. E o título tem a ver com a música da banda dele que é em minha homenagem, vocês ainda hão de ouvir: Hoje as rosas que me disseram que a vida continua, mas o tempo falou... ♫

15 de outubro de 2009

Ao meu mestre com carinho...

Professor querido, eu sei tudo o que você sente, sei que as condições são poucas e você ainda ouve que o ensino é de péssima qualidade, sei que você se esforça e eu sei que você é capaz, mas o esforço não tem que partir apenas de uma das partes, sei que o que você faz é por amor e que acredita no futuro dessa nação, ainda que várias gerações já tenham tentado e não tenham conseguido, o processo é longo e ardilosamente complexo, precisa de paciência, ainda te resta alguma, ainda que mínima, professor?
Eu admiro você, professor. Admiro que mesmo depois de tanto tempo ainda te reste esperança, mesmo com tão pouco incentivo, admiro a forma como ainda acredita no amanhã. E ele chegará professor, o amanhã ainda vai brilhar e você vai poder sorrir em paz. Mas, eu e toda essa nação precisamos de você, professor, precisamos que você acredite, que você insista, que você ensine mais um pouco, só mais um pouco. Não direi a ti que estamos próximos do fim, porque nenhum professor me ensinou a mentir e não estamos, isso nunca vai ter fim, se você queria descanso escolheu a profissão errada e eu lamento. O descanso de um professor não acontece nunca, ele sempre se preocupa se o ensino dele é o suficiente e ainda que seja, para ele não basta, tem que ser mais.
E você sabe que andei chegando a certa conclusão sobre vocês? Vocês nunca são egoísta, posso dizer que egoísta é o antônimo de professor. Eu notei isso pelo vosso esforço. Corrige prova nos fins de semana ao invés de estar no churrasco com os amigos, ou no almoço de família com a namorada, aquele que ela fazia tanta questão.
Penso também que esta profissão, a tua, é cordial, delicada e admirável. É uma arte, ensinar é uma arte e não basta querer, precisa de talento, dom, precisa-se do saber. Digo urgentemente do saber, enrolar alunos fingindo que sabe de algo não é correto e vocês, em sua maioria são. Ou dão o máximo de si para poderem ser. Os que não são, não merecem nem o título de mestre.
Precisa-se urgentemente do saber, da paixão, da força de vontade e de crença, de que adiantaria professor, você saber e não acreditar no que sabe? Precisa acreditar sim, para fazer que os outros acreditem também, na sua totalidade.
Não só penso, como acredito que os professores são os donos das profissões, eles ensinam profissões e eles ensinam a vida. São professores os pais, são professores os mestres, são professores os patrões, são professores os amigos. Cada um doa um pouco do que sabe e aprende um pouco do que é novo. Professor deveria ser título de nobreza, assim como “Conde”.
Você professor, ainda que pareça um anjo ou qualquer coisa divinamente intocável e passível a grande admiração, por fazer tudo o que faz por alunos que nem sempre são gratos e respondem a altura do que você os coloca, é humano. E isso te faz ainda mais admirável, encantador e verdadeiro. E eu compreendo que também te surjam dúvidas, também esteja exposto ao erro e ao medo.
Os professores são aqueles que quiseram levar a sério a máxima de que a vida é um eterno aprendizado, os professores são os anjos do saber.



Texto dedicado aos mestres da minha vida e em especial aos que fizeram história, contribuíram para o meu crescimento pessoal: Milena, Daniel, Alessandra, Yara, Mauro, Bordignon. (Leandro, meu lelê também)
E ao mais importante, ao que eu amo, que não é meu professor nas salas de aula e sim na vida, mas é professor de outros nas salas e eu sei que é o melhor do mundo: Fá.

12 de outubro de 2009

Tem sabor do quê? De saudade...

A minha infância foi sem dúvida a época mais feliz da minha vida. Sem responsabilidades, sem obrigações, preocupações eu levava a vida de uma maneira tão leve, eu era capaz de voar na minha infância com uma imaginação privilegiada tudo ganhava vida, tudo era motivo para a maior felicidade do mundo. Todo mundo teve, ou ainda está tendo infância. Nem todo mundo se torna adulto, mas todo mundo obrigatoriamente já foi ou vai ser criança um dia. Talvez porque a infância é a melhor fase da vida, porque na infância todo mundo é feliz por mais complicadas que sejam as circunstâncias, é a época que você não vê malícia em nada e encontra felicidade nas coisas mais delicadas. Infância é a época de descoberta – você descobre que o sol nasce, com todo o seu esplendor todas as manhãs, mas sabe a hora de deixar as estrelas brilharem. Época que você não conhece o significado e desconhece a razão, do egoísmo. – É uma pena que todas essas coisas caiam no esquecimento com o passar dos anos. As lições da infância deveriam ser eternas. Feito “O Pequeno Príncipe” e o “Peter Pan”, se eu pudesse não cresceria. Viveria eternamente os meus dias de criança, de pureza, de fragilidade. Com os anos que se passaram, com a distância que a infância foi tomando de mim, eu fui ganhando um escudo para me defender das coisas da vida, diferente de quando eu era criança, que possuía o peito aberto para tudo que era novo, um novo amigo, um novo amor, um novo sorriso, um novo sonho. Quando eu era pequena, eu tinha um herói. Digo tinha conjugado no passado mesmo, não pelo fato de não possuir mais, mas pelo fato de que ele partiu. Meu herói era de carne osso e era puro, não... ele não era criança, ele era o meu bom velhinho, meu avô. Ele fez da minha infância uma época recoberta de aprendizados, aprendi até a dizer adeus com ele. Porque os velhinhos, assim como as crianças tem o dom de ser feliz. De entender que pré-ocupação não vale mesmo de coisa alguma. Se tem uma coisa que marcou a minha infância, foram as brincadeiras. Brinquei de boneca, de esconde – esconde, de contar história, de passa o anel, qual é o mês, elefantinho colorido. Roubei, roubei sorrisos, roubei lágrimas (e levei pra bem longe), roubei amoras. Mergulhei, mergulhei nos conhecimentos caseiros, mergulhei na piscina de barrigada. Balancei, corri, chorei, perdoei, amei, cresci. Infelizmente eu cresci, mas existe alguém dentro de mim que diz que nem por isso eu deixei de ser criança, diz que infância é estado de espírito.




8 de outubro de 2009

O menino Curumim.

Curumim era um menino de descendência indígena. Daí o nome tão singular num mundo onde tudo parece igual. Ele até que era boa gente, tinha os olhinhos puxadinhos e o cabelo negro e liso, tipicamente indígena e unicamente brasileiro, adorava frequentar as aulas de história, quando a professora contava tudo sobre a sua gente. E defendia se algum coleguinha quisesse ofender, não gostava de ser chamado de indiozinho da mesma forma que os colegas se ofendiam quando chamados de urbanóides, parecia injusto já que era o que eles eram mesmo, o problema é que quando falavam assim, falavam com desdém. Os amigos mais íntimos o chamava de 'Mim' - Mim, vem aqui. Mim, faz isso. Ele até que gostava, se fazia de pomposo e caminhava com pinta de gente grande. As amigas gostavam mesmo era de mexer no cabelo dele, sempre comentavam: Olha só, o Mim nem precisa de chapinha. E todo mundo adorava quando o Mim trazia o que comer para escola, eram sempre coisas tão gostosas, não tinha na casa de ninguém. Nos fins de semana chuvosos, Mim ouvia sempre as piadinhas: Pare de fazer a dança da chuva, faça a dança do sol. E o dia mais legal do ano, era dia 19 de Abril. Se sentia tão importante, era o dia do índio. Mim, era sempre homenageado, a diretora nunca cansou de repetir o mesmo discurso: Nem toda escola tem um pedaço da história tão perto de si. Nem toda escola tem um índio a sorrir. E nem seria necessário contar, se não me fosse tão prazeroso que Mim estufava o peito feito pomba, coberto de orgulho.
Mas, a verdade era que Mim não gostava de português. Não gostava era pouco, ele detestava. Dona Joana a professora era um amor, mas ela tinha que ensinar. Toda a redação era a mesma coisa, ela estava cansada de falar para a garotada que não conseguia entender: Mim não faz nada.





5 de outubro de 2009

Galerinha!

Tem blog novo na parada, prometo voltar aqui para fazer posts pra vocês. Mas, os estudos andam me consumindo por inteira e ando pedindo para respirar. Minha amiga, Dany me convidou para uma nova parceiria... Sim, nós somos sócias em várias coisas. Está aí um convite pra vocês conhecerem um pouco dos autores que fazem sentido para o nosso mundinho, pequeno... mas encantador! Aquele que não se vê só o que é visível. O que é mais importante, nós costumamos sentir com o coração.... seria pedir demais pra vocês darem uma passadinha por lá?


http://estouroempalavras.blogspot.com/

Faz sentido pra gente, deve fazer pra vocês também.


Milhões de beijos, pequena. :)

16 de setembro de 2009

A alma diz pra onde quer voltar. ♥

Sentou na cama assustada e sentia-se gélida, como se estivesse fora de si. Apalpou seu próprio corpo para sentir se ainda era tempo de respirar, os olhos varriam o quarto para ver se estava tudo bem, ou se algo havia acontecido. O pijama claro e curto deixava a mostra seus pêlos arrepiados como num apelo não atendido pelo calor vital. A mediunidade não era bem vinda por todos e nem mesmo por ela, temia que aquilo fosse real e tudo indicava que era, o relógio anunciava que era hora de levantar, se havia sido sonho ou não ainda era necessário continuar, mesmo que lhe faltasse força. Colocou os pés no chão que parecia intangível, a sensação era de horror e medo, não se acostumaria fácil com aquilo, ainda que se tornasse freqüente. Levantou e por alguns instantes conseguiu se esquecer do que havia acontecido, ao certo não tinha esquecido... Conseguiu por um tempo não pensar.
Enquanto tomava o café ouviu ser chamada, olhou tudo ao seu redor e só sua mãe estava ali, não havia sido ela. Aquela voz grave não teria saído de tão delicada criatura, a menos que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas não faria sentido. Como nenhum dos outros acontecimentos o fazia, seus pensamentos estavam sendo atormentados pelas mais diversas dúvidas, quando conversava com o seu irmão de alma ele sempre dizia a ela que ela era mediúnica, devido a diversas situações que ela tinha vivido. Tomou os livros pelas mãos e foi se dirigindo ao ponto de ônibus, todos os dias ela fazia isso... pegava sempre o mesmo ônibus para ir ao colégio. E sempre observava atentamente as ruas passando consigo, imaginava mil histórias durante o trajeto que não era muito maior que vinte minutos. Durante esse tempo sentiu a alça da bolsa cair do seu ombro, como se alguém tivesse puxado-a, o que seria impossível e logo depois sentiu um arrepio, mais um grande sinal de que ele estava por perto. Recordou-se do que havia acontecido naquela noite e tinha deixado-na tão assustada. O medo que ela sentiu só não poderia ser maior que a saudade que ela tinha dele, essa saudade atormentava-a sempre e fazia feridas que nunca poderia se fechar, a menos que o reencontro acontecesse e tinha acontecido, não era só mais um sonho ou um pensamento, não tinha sido um susto, era realidade. Eles estiveram juntos mais uma vez, as almas dos dois se reencontraram. E tudo o que ela precisava naquele momento era poder compartilhar com alguém aquele reencontro, mas o alguém não era qualquer. Poderiam rir da cara dela, poderiam chamá-la de maluca, de ridícula ou mentirosa. Mas, o coração não mente, apenas sente e ela estava sentindo aquela saudade um tanto amenizada, passou o dia na busca da pessoa correta e não foi possível.
Quando voltou para casa abraçou o travesseiro e se colocou a chorar, era um choro desmedido e merecido, as lágrimas corriam a sua face, não estava com medo do que tinha acontecido naquela noite e sim do que os outros pensariam quando descobrisse. Aquelas coisas não eram brinquedo com o qual poderia se brincar e depois deixar de lado, aquela não era uma história fictícia que ela veria no cinema e voltaria pra casa como se nada tivesse acontecido, ela era a personagem principal e o roteiro havia sido escrito pelo vida ou pela morte.
Sentiu lhe afagarem os cabelos. Ela olhou de lado e encontrou alguém que estava disposto a ouvir e não julgar, alguém que demonstrou interesse em conhecer uma história que tinha acontecido do outro lado da vida, uma história que nem todos estão dispostos a conhecer e nem todos vão viver. Lamentavelmente, sempre existe um alguém em nossas vidas para quem nós nunca gostaríamos de dizer adeus, ela sentia enquanto chorava que dizer adeus era necessário, aquela poderia ter sido a última visita do anjo a terra, poderia ter sido o momento em que ele conseguiu se desprender das coisas que ele tinha aqui, não era bom, não era satisfatório, mas era algo que precisava acontecer para o bem dele e dela. De qualquer forma era inegável que havia sido perfeito, mesmo em circunstâncias tão distantes. Foi quando cessou o choro e ouviu a voz que queria acolher aquela história.
- Anda, diga-me o que tanto te faz chorar...
Com a voz ainda embaraçada pelo choro e envolta por soluços, ela se acolheu ao colo da amiga e foi contando o que havia acontecido:
- Ele veio me visitar, eu não quis acreditar que tinha estado com ele quando acordei, mas foi real, foi tão real. Eu senti... – A amiga não quis interromper, apenas consentiu para que a aquela criatura ali em seu colo, se fazendo tão pequena, pudesse continuar. - Foi em sonho, eu até acordei assustada. Ele tinha vindo da Alemanha para o Brasil com a Camila e um filho, era filho deles. Eles tinham se casado e ele estava tão bem, com uma alegria que eu só conseguia ver quando estava por perto. Era tão sério com os outros. Eu trabalhava em um orfanato no qual a minha mãe era dona. E ele tinha vindo deixar o bebê, estava se separando da Camila que queria ficar no Brasil e voltando pra Alemanha, não consegui compreender os motivos que o fez tomar essa decisão. Mas, o engraçado é que ele não sabia que o orfanato era meu, ele tinha escolhido porque era um bom lugar, um lugar lindo... parecia uma casa no campo tinha uma árvore enorme e brinquedos por todos os lados, quando eu o vi dentro do carro foi impossível de controlar... eu saí correndo na direção dele. – um suspiro saiu dela, mas ela não se abalou. – Eu gritava como teria gritado se ele aparecesse agora ali na porta, eu gritava correndo na direção dele de braços abertos, como era a minha vontade de recebê-lo de volta. O bebê que ela trazia nos braços era a coisa mais linda de se ver, era loirinho e tinha os olhos azuis, eu acho que era menino e se chamava Josh, a Camila não queria deixá-lo, ou queria. Não falei com ela, deixei-a com outra pessoa, pra cuidar de toda a papelada e fui à varanda da casa matar a saudade do meu irmão. Ele me dizia que estava tudo bem com ele, melhor, muito melhor do que antes e que eu não tinha porque me preocupar, ele dizia que também sentia a minha falta e que nunca ia me esquecer, por um momento achei que ele sumiria da minha frente. Ele me pedia incansavelmente para que eu não deixasse meus estudos e eu disse que queria ir com ele, queria ir embora com ele porque a falta era demais. Eu o abraçava durante todo o tempo. Ele me disse que a Alemanha não era algo tão bom quanto eu pensava, que o Brasil era bem melhor, eu defendia que era bom porque ele não passava todo o tempo aqui e ele dizia que o povo brasileiro era muito mais receptivo do que os alemães. Pedi para que ele ficasse e foi em vão... Ele pegou as chaves do carro e chacoalhou-a na minha frente, fazendo tilintar e disse que precisava ir, as malas estavam no carro. Quis morrer com a partida, debrucei sobre a janela do carro dele, quando ele já estava sentado e ficava dizendo que ele sempre me faria muita falta. – A explicação foi interrompida por um grande silêncio, a amiga que prestou atenção em tudo o que lhe foi dito, voltou a afagar os cabelos da menina. Apenas sorriu como se concordasse – eu acredito em você.



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Esse texto eu escrevi a pedido de uma grande amiga, que disse que queria um reencontro, ainda que fosse um sonho. O sonho realmente aconteceu, eu realmente já tinha sonhado com isso, se aconteceu, se foi só um sonho, se foi real, se foi experiência mediúnica, como dizia o próprio personagem dessa história verídica, que eu tinha fica a critério de vocês. Eu acredito e isso é suficiente. Um beijo pra vocês todos! ♥

5 de setembro de 2009

Sobre um amor que não terminou...

Era (aparentemente) mais uma tarde tediosa, onde não acontece nenhuma história que eu um dia teria prazer em contar aos meus queridos netos. Vivo sonhando que quando eu tiver a honra de ter netos, serei a avó mais perfeita do mundo. Deseducarei todos eles, com muito gosto, os levarei para passear nos parques da cidade, nos circos e em todos os lugares que eles quiserem ir, mas as noites serão sagradas, eu os colocarei aos meus pés e contarei todas as histórias das quais eu tiver orgulho de ter vivido. Não serei aquelas vovós que sabem fazer tricot, afinal eu não tenho nem um pingo de paciência para essas coisas, mas contar histórias. Ah, como eu amo... E essa história vai ser uma daquelas que eu vou começar contando: A história de hoje, meus amorezinhos... é sobre um amor que não terminou... Eles vão falar: Essa a gente já conhece, vovó! E eu certamente fingirei que não ouvi, já que recordar é viver e eu sinto tanta falta desse tempo.
Essa história é sobre um amor que não terminou. Um dia há algum tempo atrás eu conheci uma pessoa especial, uma daquelas que vocês nunca saberão se existiu mesmo ou não. Porque nem eu, que convivi com ela, consigo saber. O amor que essa pessoa fez despertar em mim não terminou e nunca terminará eu me prometi isso desde o dia em que... Bem, vamos a história. Era um alguém de serenidade visível, um alguém que sabia como tratar outro alguém, eu sempre o disse que ele era um gentleman e ele me proporcionou tardes de risos altos e sinceros. Ele era branco e sensível, um alguém que eu sempre vi como um protetor, tinha nome: Sebastian, para mim o Alemãozinho ou como eu digo até hoje, minha metade alemã. Nós tivemos muito pouco tempo, nem sempre as coisas acontecem como nós desejamos, mas era como um encontro marcado, todas as tardes estávamos unidos. Eu adorava ouvir as histórias que ele tinha pra me contar, adorava ser o ombro amigo quando ele precisava desabafar e ser a “mamãe” quando precisava de bronca, apesar dos cinco anos que contavam a mais no RG dele, eu sempre fui tachada de irmã mais velha, apesar de só me chamar de “mein kleines” (minha pequena). Referíamos-nos um ao outro sempre com uma ternura que vinha de outras vidas, era o que nós acreditávamos outras vidas existiam para nós. E nós iremos nos reencontrar numa próxima, ou nessa ainda se... É. Ele era um alguém que tinha muito medo, não se sentia amado pela mãe que tinha o mesmo nome que o meu e sentia muita a falta da namorada que estava do outro lado do oceano. Eu nunca soube detalhes, na verdade nem ele sabia muito bem quando ela voltaria e isso o machucava ainda mais. Ele sempre buscou meios de esquecer-se desses problemas que o atormentava, uns mais apropriados e eficazes: como amigos e outros mais inapropriados e pouco eficazes: falsos amigos. Eu sempre ficava martelando na cabeça dele que amigos de verdade nos levavam para caminhos bons e os “amigos” nos levava ao deserto. Deserto me remete a uma frase que me lembra muito ele: Num deserto de almas também desertas uma alma especial reconhece de imediato outra. Do Caio, o grande. Eu o reconheci, a alma do Sê sempre reluziu para mim. Ele me apresentou coisas que eu me prendo até hoje, para nunca esquecê-lo, uma delas a mais importante: O perdão. Eu aprendi a me perdoar pelos meu erros e não culpar os outros pelos erros que não eram deles, eu aprendi a desculpar quem quer que fosse e por qualquer ofença, qualquer ferida. A minha metade alemã era uma coisa que eu sempre quis ser, poliglota. Outra coisa que me faz nunca esquecê-lo, a minha promessa. Ainda serei poliglota e todos os meus diplomas, serão dedicados a ele. Para ser muito, mas muito e precisamente sincera: muita coisa me lembra o alemão mais especial de toda a minha vida, o meu irmão. Eu poderia ficar a noite inteira contando essa história aos meus netos, ou a quem ousasse me dar ouvidos, porque eu tenho muita coisa a falar. Os risos descontidos tomavam conta de qualquer ambiente em que estivesse eu e ele. Também houveram lágrimas, sinceras e doloridas. Quando ele insistia em dizer que eu era quem tinha grandes problemas e vivia sorrindo e ele não tinha problemas e ficava os procurando, como numa caçada onde não se sai sem sua presa, procurava tanto que acabava por encontrar. Ninguém podia negar que cumplicidade era a nossa marca, nós conversávamos sobre todo e qualquer assunto: desde religião até o céu de Brasília, que, diga-se de passagem, nós consideramos o mais bonito do mundo. Insisto em contar a história como se ele estivesse presente, porque ele está. A presença dele dentro de mim é tão forte que eu posso sentir, eu posso ouvir-lo dizendo que agora está tudo bem. Mas, eu preciso chegar ao fim da história, antes que as lágrimas não me deixem continuar, o soluço embrome a minha voz e vocês tenham que sonhar com o fim, que não será tão sincero e descontente como o verdadeiro. Houve um dia que eu fui procurá-lo no lugar de sempre e ele não pôde ser encontrado, lá estava só um bilhete: O mais importante e triste que eu recebi em toda a minha vida.


Jooo! To passando só pra me despedir... Eu queria agradecer por tudo, tudo e tudo que você fez por mim cara! Você foi e ainda é uma das pessoas mais importantes pra mim, na minha vida! Até peço desculpas por estar fazendo essa "caca", como tenho certeza que você diria se estivesse falando comigo agora rsrs mas realmente não ta dando mais pra suportar! E tipo... Dessa vez eu não volto cara! Eu prometi pra mim mesmo e vou cumprir, eu sei que não vou melhorar! Só quero que você não se esqueça de mim, porque você sabe que independente de onde eu estiver, eu vou estar olhando por ti, te protegendo... Apenas quero que você respeite minha vontade de querer partir! Mas enfim, vou ficando por aqui... Eu te amo muito, muito, muito, muito, muito e muito Jo
*-* pra toda a eternidade e em todas as minhas vidas! E quanto a visita que eu iria te fazer... Deixa pra próxima quando nos reencontrarmos! um enorme beijo de quem te ama mais que tudo... Sê!"
6 de março de 2008, 19:59
Ninguém estava presente quando as lágrimas cobriam o meu rosto e eu achei que não teria mais forças pra continuar sem ele. Mas não é remorso o que me aflige porque na última vez que eu o vi, o deixei com palavras doces e verdadeiras, eu o tinha dito que o amava, porque amava e ainda o amo. Eu sempre tentei fazê-lo desistir desse adeus tão dolorido eu sempre tentei conformar a dor que o atormentava, mas essa decisão não cabia a mim. Ele sempre foi uma pessoa muito especial, desde o primeiro instante e que apesar de não ter o mesmo sangue que o meu, nós tínhamos todo o restante para nos considerarmos irmãos, o amor, o afeto e a cumplicidade. Coisas pelas quais eu não tenho pelos meus irmãos do sangue. Eu sempre acreditei que a alma era uma coisa muito mais importante que a genética, o físico. Nós tínhamos uma alma parecida, nós éramos (somos) irmãos da alma. E isso é bem maior que o sangue. Sempre sentirei falta das aulas de português que ele me pedia, já que as gírias eram difíceis de ser compreendida por ele assim como advérbio de modo temporal. Ele fazia uma tempestade com isso e eu o explicava com as palavras mais simples que eu podia. Assim como sinto falta dele falando em alemão a frase que mais marcou a estada dele na minha vida: Se amar é viver, eu vivo além da vida... porque eu te amo além do amor. E minha metade alemã sempre soube que isso não era apenas um clichê, ele sabia que vinha de dentro do meu coração. O que me conforta é saber que você olha por mim, o que me conforta é pensar que certamente você está bem melhor do que estava por perto, os sonhos nos quais você vem me visitar pra mandar notícias também cabem como um pequeno alívio, gosto de sentir que você está em paz. Afinal, foi tudo o que você buscou durante toda a tua estadia na terra. Eu me enganei quando acreditei que você era um anjo Terrestre, você era um anjo que estava só de passagem. O céu te mandou e o céu te buscou. Olha por mim. ♥


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Galerinha, quero indicar dois vídeos pra vocês. Um que é um curta metragem do conto do Caio Fernando Abreu que eu postei pra vocês um dia - Os Dragões não conhecem o paraíso. E o outro é um que eu acabei de assistir no YT, sobre apaixonar-se pela vida. Os dois são bemmm bacanas, quem puder assistir garanto que vai ser bem legal. Respondo os comentários de vocês depois, porque eu vou pra feira agora. E queria agradecer também pelo carinho que vocês tem, é muito bom receber ele. *-* amo mt tudo isso! Seguem os vídeos:


É só clicar no título e se divertir, beijos!

26 de agosto de 2009

♪ Quem sente com a alma é capaz de amar ♫

Ela procurou pela mão dele no sofá e depois de um suspiro pesado, questionou: - Se eu prometer que tudo ficará bem você segura minha mão (com confiança), outra vez? Ele retirou a mão que estava debaixo dela e repousou sobre a dela, dando um aperto, como um sinal, como um sim. As palavras não saíram dos lábios dele, mas ela conseguia entender. Era tanta cumplicidade, era tanto tempo. Ele não teve tempo de pensar e ela continuou: Eu preciso dizer que o brilho dos teus olhos me faz tanta falta. Sinto falta da segurança com a qual você falava mal do meu time, mesmo os fatos provando que ele é melhor que o seu. Ela sorriu com os olhos, procurando a reação dele, há uns meses atrás, era o sorriso do olhar dela que o fazia amanhecer todas os dias com vontade de continuar, com vontade de trabalhar o dia todo, pra voltar pra casa e finalmente – encontrá-la. Ela era tudo o que ele tinha e sabia disso, talvez faltassem forças pra lutar contra o mundo, afinal os braços e as pernas estavam tão cansados de golpear o inimigo que não se vê, mas o coração não, o coração acreditava em tudo, acreditava no para sempre. Aquele sorriso dos olhos dela, que iam ao encontro dos olhos dele todas as noites era o que afirmava, com toda a certeza que só cabia aos dois que o riso dele era a única coisa que fazia ela feliz, única coisa exceto cada célula do corpo dele. Mas ele era o único que a fazia tão feliz, que fazia ela sorrir com os olhos, como uma injeção de eficácia imediata, era alegria aplicada na veia que estava (diretamente) ligada ao coração. Os momentos bons que eles tinham vivido passaram como um filme na lembrança deles, as mãos se apertaram dando confiança um ao outro. Ela não temeu em continuar: Meu amor, olha nos meus olhos agora! Sim, eu digo agora. Como se esta fosse a minha última agonia. O pedido dela foi atendido, mesmo com o medo de perdê-la pesava em seus ombros, ele olhou-a cabisbaixo. Interrompendo-na só com um sorriso amarelo. Os sonhos que eu guardei pra nós, ainda estão aqui. E são o meu mais doce segredo. Pedi para que me olhasse assim, tão depressa porque seus olhos são os únicos que me transmitem verdade. Ainda que a longo prazo e eu agradeço por elas não terminarem amanhã, nem terem terminado ontem. São lindas verdades, verdades.. e doloridas. Verdades que só cabem a nós dois. O corpo dela se arrastou pelo sofá, ao encontro do aconchego do abraço dele. Ele, que a recebeu de braços abertos. Foi um aperto que chegava a doer, de tanta verdade, de tanta vontade, de tanta saudade. Eram duas metades sendo entregues uma a outra, se reconstruindo. Ele sussurrou: Minha alma gêmea. E apertou-a um pouco mais, ela repousou os pés sobre o sofá e sorriu toda sapeca pra ele. Foi a sapequice dela que o tinha conquistado, o jeito de garota que não havia decidido em ser menina, ou em ser mulher. O conforto do abraço dele, deixou-a ainda mais a vontade para dizer as coisas que ela não tinha dito ainda, mas que sentia desde sempre, desde o dia em que ele lhe pediu um abraço e ela deu, com medo, mas foi a entrega da alma dela (que já não era tão dela assim, desde este abraço): Eu sei, eu ainda acredito que temos um mundo de magia, de mistérios pra desvendar. E sei que se você me der a mão e caminhar comigo a estrada pode ficar mais iluminada, como se você fosse o sol que brilhasse só pra mim. Aliás, você já reparou a facilidade com a qual eu te comparo as coisas divinais? Você é pra mim o que ninguém nunca será, você é o anjo que não tem asas, mas é capaz de me fazer alçar vôos para o além do infinito. Você é a tradução do que é o amor, você é o motivo. E os motivos definitivamente não são terrenos, não quando os motivos são teus. Ele não conseguia responder, ele não queria dizer algo que não estivesse a altura dela. Mas, as lágrimas falaram por ele. Ela secou-as, enquanto ele levou o dedo indicador até os lábios carnudos dela, brincando ali. Causando nela um sorriso sincero, ela entendia que ele era tudo o que ele precisava e que eles estavam juntos, se encolheu toda no abraço dele. Ela se sentindo protegida ali e ele querendo protegê-la. Foi como ele explicou: Você sempre foi tudo o que eu quis, tudo o que eu preciso desde o dia em que conheci é do seu sorriso. Ele queria deixar claro que era o jeito de menina que precisava ser protegida, com o de mulher que precisava amar e ser amada que trazia a magia do sentimento deles. Eles acreditavam em alma gêmea e se aquilo de fato existia, eles eram o maior exemplo do que almas gêmeas eram capazes de fazer para se encontrar. O encontro estava marcado desde o dia que eles nasceram, não tinha hora nem dia exato para acontecer, mas eles buscavam um pelo outro desde a primeira respiração e se completavam no mais perfeito encaixe. Eram tão iguais na essência e tão diferentes nas atitudes. Ele aprendeu a deixar o jeito durão de lado quando viu e se encantou pelo sorriso dela e ela perdeu o medo de se entregar. Certamente eles eram a mais perfeita (e estranha) história de amor escrita pelos dedos de Deus, precisavam um do outro como se precisa do ar, da terra, da água e do amor. O amor parecia o mais impossível, diversos empecilhos pareciam brotar na história, mas eles guerrearam até provar que com força de vontade o impossível passa a ser apenas mais uma pedra no caminho, mais um obstáculo a ser superado. Ela fechou os olhos, recostou a cabeça no peitoral dele e ouviu os batimentos cardíacos, sorriu coberta por uma só certeza: Se ele pulsava, era por ela. Assim como o coração dela batia ainda a cada amanhecer, na esperança de reencontrá-lo. Reencontrar a metade que pertencia a ela. No olhar dava pra perceber, qualquer um era capaz de notar que aquela história de amor fora escrita tão somente a eles. Que ninguém se encaixava no papel dela e dele, como eles. Ela sorria sonhando com o encontro deles, ele sorria ao lembrá-la. A intensidade do sentimento não era notada só pelas palavras que eles falavam, pelos sonhos que eles sonhavam, pelos medos que eles enfrentaram, pelos problemas que eles golpearam. Mas pelo abraço, quem assistia o abraço podia contemplar claramente o encontro de almas gêmeas, o encaixe perfeito de dois corpos que se pertenciam. Dava pra notar que aquele amor era coisa de outro mundo, era tão real como as estrelas que não cansam de brilhar essa noite. Era maior que a imensidão azul do céu. Essa história pertence a nós.







19 de agosto de 2009

Sobre elas.


As garotas normalmente conhecida como sonhadoras, são felizes.
Como defendi no título do blog, o conto de fadas não deve acabar a meia noite. Não deve, não pode, não vai. Não assim, não pra mim. Se tem uma coisa da qual eu me orgulho de ter aprendido na vida esta lição foi: Decepção não mata, dói muito. Mas, te ensina a viver. Todo mundo pelo menos uma vez em sua vida já ouviu aquela música: ♪ Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito ♫ E não é porque você não classifica como perfeito que não foi bom. Já falei sobre o quão indignada fico eu quando alguém diz que um amor acabou. E mais ainda quando dizem que não aconteceu. Galerinha, a fórmula do para sempre também machuca, tá? Tenho para mim que um amor nunca acaba. Se acabou, informo-lhes com um aperto no peito que não foi amor. Foi uma paixãozinha, que você certamente vai dizer que não valeu a pena, né? Valeu sim. Valeu o beijo, o desejo, o sorriso, os telefonemas e acredite, sabe aquela crise infantil que ele teve? Contribuiu sim para o seu crescimento. É garota, um dia você teria que amadurecer. Que bom que foi perdendo um namorado. Imagine se fosse perdendo sua melhor amiga? Aquela que te deu colo e te comprou aquela barra enorme de chocolate? E tem mais, se ele foi tão canalha assim, tão imprestável, você é pior ainda de se permitir chorar por ele. É natural que a vida depois de um término, uma separação seja complicada. Afinal a vida é feita de uma 'rotina' se você é acostumado a conviver com um alguém, quando se perde por motivos óbvios faz falta. Mas, viver só da falta não satisfaz. As garotas sonhadoras sempre procuram uma nova maneira de ser feliz, as garotas sonhadoras nunca devem deixar o sonho morrer por que uma vez não deu certo. Ser feliz consiste no caminho, na estrada, na procura e não só no encontro. Ser feliz não é uma condição, é um estado de espírito. Todas as garotas têm o direito de ser feliz, todas as garotas deveriam saber. Porque garotas são naturalmente frágeis e não é por isso que não merecem alcançar o ápice. Aquelas que desistem logo de primeira, não são merecedoras de tudo que espera durante o caminho. Se elas pararam na primeira lombada, é porque não suportariam ver aquela flor desabrochar pétala por pétala.





Me desculpem por tamanha ausência, quase um mês sem postar. Mas é que a criatividade passou bem longe de mim durante esses dias, só voltei mesmo com esse texto chinfrin porque eu prometi a Gaby, uma fofa! E sim, sou eu na foto! ;)

ps: O Blogger tá de brincadeira comigo, perdi a conta do número de vezes que eu tive que editar a postargem. :X

26 de julho de 2009

Por não ser você...

Os medos, os defeitos, as atitudes, as qualidades, as particularidades. São coisas que definem uma pessoa e sua personalidade, a forma com que ela age referente as mais diversas situações que surgem em sua vida. Cada um age diferente, cada um tem um modo de encarar as coisas, um ponto de vista. E é justamente isso, que nos difere das demais criaturas, a capacidade de pensar, de interpretar os acontecimentos do dia a dia, da melhor forma ou não. Racionalidade. Mas nem sempre se pode ser movido pela razão. Existe um elemento 'x', in ou felizmente nós temos coração. Qual o melhor caminho a ser seguido? Entre a razão e a emoção, qual a melhor saída?
Se você está do lado de fora é muito fácil e até divertido fazer aquele tão famoso comentário: Se eu fosse você... Atualmente isso é algo muito visado, até pela sétima arte, com o filme: Se eu fosse você e Se eu fosse você II. E pelo programa de televisão transmitido pela Rede Record: Troca de Família.
A questão é, você acha mesmo que ser outra pessoa é realmente fácil? Você acha que se você fosse a Britney Spears (nada contra ela) você erraria menos? Você teria menos escândalos? Se você respondeu sim para todas as perguntas, meu caro. Vou te mandar um presente, uma daquelas camisas que amarram atrás, mais conhecidas como "camisa de força" muito utilizadas em manicômios. Porque apontar o dedinho para qualquer pessoa e falar: Você está errado, você é muito burro! É realmente muito fácil, mas quem é que vai arregaçar as mangas e falar: Você errou, meu caro! Mas eu posso te ajudar a fazer melhor, a começar de novo.
Certo dia eu li uma frase de Abraham Lincoln: "Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar"
Então, meu caro. Se você não está disposto a ajudar outrém a construir um castelo, com as pedras que atiraram nele, não atire mais uma. Por que você nunca sabe quais as circunstâncias que o levaram a errar (ou acertar) daquela forma, provavelmente se fosse você no lugar dele, você vivênciaria tudo exatamente igual.


Os filmes e os programas que discutem esse tema, só tentando evidenciar o que é óbvio até para uma criança. Viver não é fácil, todo mundo tem problemas. Os problemas dos outros, que lhe parecem mais fáceis de serem resolvidos, para ele não é. Cabe você a tentar ajudar, se pra você é uma bobagem. Mas nunca tentar fazer aquele 'fardo' ficar ainda mais pesado, ainda mais insuportável...
Porque eu não posso ser você.


Tema proposto pelo "Post-it".. tá aí, faz tempo que eu não escrevia pra eles. :) Aliás, escrevi só uma vez. :D

Blog tá difereeeeeeeeeeente! Alguém aí percebeu? Topo novo, tem orkut, twitter, flickr ali do lado pra vocês acessarem e comprovarem o que a Fernanda sempre me diz: Só você mesmo pra cuidar disso tudo! UHAHUAHUAHU Tem o fotolog também, mas tô pensando numa foto pra postar aê aê! HUAHUAHU parei. *-*
Beijo pra quem leu;*


23 de julho de 2009

Gravíssimo, gravado.

Ela entrou pela porta do consultório médico quando o Doutor a chamou pelo nome. Seu coração estava disparado há dias, os olhos tinham um brilho fora do comum brilhavam mais que as estrelas e suas mãos suavam frios. O Doutor quis saber o que estava acontecendo com aquela menina que aparentava perfeita saúde:
- E o que você sente?
- Não sei Dr, meu coração está querendo fugir durante esses dias, minha mão gelada e eu sinto como se existissem borboletas dentro da minha barriga. Meu pensamento aéreo e eu fico cantalorando durante todo o dia aquelas músicas bobas.
O médico fazia cara de que não gostava do que ouvia e a menina ficou ainda mais preocupada, o que seria... então questionou:
- É grave?
- Suas pernas tremem? Você fica impaciente?
- Sim tremem Doutor, não... não fico impaciente! Mas é grave? É grave? Me responde?
A cabeça do velho Doutor já estava grisalha, ele bem conhecia como funcionavam aquelas coisas. Imagine se ela não é impaciente, era o que ele conseguia pensar. Depois de um longo silêncio, enquanto procurava a forma mais amena de falar, depois de um suspiro soltou de uma vez:
- Muito grave.
- Grave? - Ela se assustou e começou a ficar ainda mais inquieta. - Eu vou morrer?

(...)



Grave, grave sim. Muito grave, não tem cura. Está gravado. Bom ou ruim vai ser assim. É o amor, você está contaminada até o fim dos teus dias. Funciona desse jeito, você não escolhe. Mas, para alívio dos muito apaixonados é a melhor das "doenças". Digo mais, a salvação do mundo. O que seria de nós se não fosse o amor? Mas não. Ninguém morre de amor, morrem aos poucos por suas complicações. Mas o amor é chama, o amor é vida.. é tudo que existe de mais terno em você. Você morre de saudade, morre de desejo... mas de amor não morre. O amor acontece, não é uma escolha... O seu amor, a sua sina... são teus. O amor é algo que não é ensinado na escola, nem nos doutorados. Você aprende na marra, você aprende na prática, olho no olho, frio na barriga, calafrios, brigas. Sim, elas fortalecem... solidificam esse sentimento. É o amor, ele vai escorrer pela tua alma... te contaminar. Eis que quando você vê já não se pode voltar atrás a entrega total foi feita e não tem retorno. Ou você o vivência, ou vivência a contra mão do mundo.

18 de julho de 2009

Galerinha! ;)

Sim, eu estou viva e muito bem. ;) Dois posts hoje, Jô? Exato. Dois posts hoje. :)
O primeiro post, Os dragões não conhecem o paraíso. É da autoria do meu querido e amado Caio Fernando Abreu. Seguinte, postei um texto e ia continuar só com ele. Porque eu gostaria mesmo que vocês conhececem o cara que me entende, praticamente meu psicólogo. É lendo os dele, que eu muitas vezes me encontro. Só que não cabe a mim forçá-los a conhecê-lo. Só acho que vocês gostariam disso e tal. O Texto é grande e vocês precisam de paciência pra ler... mas é tão perfeito. Na minha opnião ele compara os Dragões aos amores eternos, que por ventura deram ou não certo. No livro de onde o texto foi retirado, ele fala: "Não se pode aprisionar os que têm asas".

Então vamos fazer um combinado? Quem quiser ler.... comenta lá e quem não quiser, comenta aqui e nós seguimos SEM RESSENTIMENTOS. Até porque eu sou da paz... HAUUHAUHAUHAUHAUH

Gente, o que tem sido as férias de vocês? A minha está sendo excelente, na minha opnião... tão bom dormir! Tô colocando em dia meu sono... *-* Ganhei dois selos da Ari, mas eu posto depois!



:*


l

17 de julho de 2009

Os dragões não conhecem o paraíso.

Tenho um dragão que mora comigo.

Não, isso não é verdade.

Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.

Isso me pareceu gradiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Tenho medo da minha lucidez daquele dia.

Estou me confundindo, estou me dispersando.

O guardanapo, a frase, o medo - isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.

Depois continuo a contar para mim mesmo, como se fosse ao mesmo tempo o velho que conta e a criança que escuta, sentado no colo de mim. Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para se transformar numa grande chaga.

Assim, agora, estou aqui. Ponta fina de agulha equilibrada entre os dedos da mão direita, pairando sobre a palma aberta da mão esquerda. Algumas anotações em volta, tomadas há muito tempo, o guardanapo de papel do bar, com aquelas palavras sábias que não parecem minhas e aquelas outras, manchadas, que não consigo ou não quero ou finjo não poder decifrar.

Ainda não comecei.

Queria tanto saber dizer Era uma vez. Ainda não consigo.
Assim confuso, disperso, monocórdio, me parece um jeito tão bom ou mau quanto qualquer outro de começar uma história. Principalmente se for uma história de dragões.

Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a, nem mora com alguém. Duvido que um dragão conviva melhor com esses seres mitológicos, mais semelhantes à natureza dele, do que com um ser humano. Não que sejam insociáveis. Pelo contrário, às vezes um dragão sabe ser gentil e submisso como uma gueixa. Apenas, eles não dividem seus hábitos.

Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar sempre batem a cauda três vezes, como se tivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja essa a sua maneira desajeitada de dizer, como costumo dizer agora, ao despertar - que seja doce.

Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava - digamos - adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quanto você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira.

Ele não prometia corrigir-se. E eu sei muito bem como tudo isso parece ridículo. Um dragão nunca acha que está errado. Na verdade, jamais está. Tudo que faz, e que pode parecer perigoso, excêntrico ou no mínimo mal-educado para um humano igual a mim, é apenas parte dessa estranha natureza dos dragões. Na manhã, na tarde ou na noite seguintes, quanto ele despertasse outra vez, as prímulas amarelas e as begônias roxas e verdes, e Kafka, Salinger, Pessoa, Clarice e Borges a cada dia ficariam mais esturricados. Até que, naquele apartamento, restássemos eu e ele entre as cinzas. Cinzas são como sedas para um dragão, nunca para um humano, porque a nós lembra destruição e morte, não prazer. O que não podemos compreender, ou pelo menos aceitar.

Além de tudo: eu não o via. Os dragões são invisíveis, você sabe. Sabe? Eu não sabia. Ele diria, com aquele ar levemente pedante: "Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos de paredes invioláveis para o que não é visível".

Ele gostava tanto dessas palavras que começam com in - invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.

Ele cheirava a hortelã e alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Não acredite se alguém, mesmo alguém que não tenha um mundo pequeno, disser que os dragões cheiram a cavalos depois de uma corrida, ou a cachorros das ruas depois da chuva - nunca foi esse o cheiro dos dragões. A hortelã e alecrim, eles cheiram. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume.

Eu aprendi o jeito de perceber quando o dragão estava a meu lado. Os dragões param sempre do lado esquerdo das pessoas, para conversar direto com o coração. O ar a meu lado ficou leve, de uma coloração vagamente púrpura. Sinal que ele estava feliz. Sorríamos suaves, meio tolos, descendo juntos pelo elevador numa tarde que lembro de abril - esse é o mês dos dragões - dentro daquele clima de eternidade fluida que apenas os dragões, mas só às vezes, sabem transmitir.

Por situações como essa, eu o amava. E o amo ainda, quem sabe mesmo agora, quem sabe mesmo sem saber direito o significado exato dessa palavra seca - amor. Se não o tempo todo, pelo menos quanto lembro de momentos assim. Infelizmente, raros. A aspereza e avesso parecem ser mais constantes na natureza dos dragões do que a leveza e o direito. Mas queria falar de antes do cheiro. Havia outros sinais, já disse. Vagos, todos eles.




Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber porque, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que os espaços ficassem mais bonito.

Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores - acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminta de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feia, mais magra, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarzinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.

Esses ritmos, só descobri aos poucos. Mesmo o cheiro de hortelã e alecrim, descobri que era exatamente esse quando encontrei certas ervas numa barraca de feira. Meu coração disparou, imaginei que ele estivesse por perto. Fui seguindo o cheiro, até me curvar sobre o tabuleiro para perceber: eram dois maços verdes, a hortelã de folhinhas miúdas, o alecrim de hastes compridas com folhas que pareciam espinhos, mas não feriam. Pergunte o nome, o homem disse, eu não esqueci. Por pura vertigem, nos dias seguintes repetia quanto sentia saudade: alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim hortelã alecrim.

Antes, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ira ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonita eu mesma para encontrá-lo. Os dragões não perdoam a feiúra. Menos ainda a daqueles que honram com sua rara visita.

Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz. E forçava os olhos pelos cantos de prata esverdeadas, luz fugidia, a ponta em seta de sua cauda pela fresta de alguma porta ou fumaça de suas narinas, sempre mau, e a fumaça, negra. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dias após dia.

Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atenta somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca. Ele não compreenderia. Eu não compreendia, naqueles dias - você compreende?

Os dragões, já disse, não suportam a feiúra. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim - hamadríades, arcanjos, nuvens radioativas, demônios que fossem. Nunca os via. Nunca via nada além das paredes de repente tão vazias sem ele.

Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte. Dunas, geleiras, estepes. Nunca mais reflexos esverdeados pelos cantos, nem perfume de ervas pelo ar, nunca mais fumaças coloridas ou formas como serpentes espreitando pelas frestas de portas entreabertas. Mais triste: nunca mais nenhuma vontade de ser feliz dentro da gente, mesmo que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. A não ser o belo, que é de ver, não de mastigar, e por isso mesmo também uma forma de desconforto. No turvo seco de uma casa esvaziada da presença de um dragão, mesmo voltando a comer e a dormir normalmente, como fazem as pessoas banais, você não sabe mais se não seria preferível aquele pântano de antes, cheio de possibilidades - que não aconteciam, mas que importa? - a esta secura de agora. Quando tudo, sem ele, é nada.

Hoje, acho que sei. Um dragão vem e parte para que seu mundo cresça? Pergunto - porque não estou certo - coisas talvez um tanto primárias, como: um dragão vem e parte para que você aprenda a dor de não tê-lo, depois de ter alimentado a ilusão de possuí-lo? E para, quem sabe, que os humanos aprendam a forma de retê-lo, se ele um dia voltar?

Não, não é assim. Isso não é verdade.

Os dragões não permanecem. Os dragões são apenas a anunciação de si próprios. Eles se ensaiam eternamente, jamais estréiam. As cortinas não chegam a se abrir para que entrem em cena. Eles se esboçam e se esfumam no ar, não se definem. O aplauso seria insuportável para eles: a confirmação de que sua inadequação é compreendida e aceita e admirada, e portanto - pelo avesso igual ao direito - incompreendida, rejeitada, desprezada. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos - como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.

Quando volto apensar nele, nestas noites em que dei para me debruçar à janela procurando luzes móveis pelo céu, gosto de imaginá-lo voando com suas grandes asas douradas, solto no espaço, em direção a todos os lugares que é lugar nenhum. Essa é sua natureza mais sutil, avessa às prisões paradisíacas que idiotamente eu preparava com armadilhas de flores e frutas e fitas, quando ele vinha. Paraísos artificiais que apodreciam aos poucos.
Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.

As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir.

Resta esta história que conto, você ainda está me ouvindo? Anotações soltas sobre a mesa, cinzeiros cheios, copos vazios e este guardanapo de papel onde anotei frases aparentemente sábias sobre o amor e Deus, com uma frase que tenho medo de decifrar e talvez, afinal, diga apenas qualquer coisa simples feito: nada disso existe.

Nada, nada disso existe.

Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me viva, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansada do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinha neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesma sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:

- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.

Não, isso também não é verdade.



O Grande, eterno - Caio Fernando de Abreu.