Das saudades.

16 de julho de 2015
Para ser lido ao som de Rather Be.

Créditos Imagem: Tumblr 

Ando com saudade do ninho. De sentar no sofá enquanto espero você se ajeitar e ouço seu pedido de: - por favor, baby, não repare a bagunça. É claro que eu não reparo, penso comigo mesma. Ouço você perguntando o que quero ver na TV e eu serro os olhos, penso se não te parece óbvio que não quero ver nada, mas permaneço em silêncio. Vejo você pegar uma água e se sentar ao meu lado, logo sorrio e acomodo meu corpo pequenino ao seu abraço, que me envolve num conforto infinito. Roço meu rosto no seu ombro e pescoço, sinto seu cheiro de roupa limpa e sonho bom, mas me afasto repentinamente, com medo de sujar-te com a minha maquiagem, mas o medo se desfaz num sorriso logo após a sua cara de que é óbvio que isso não tem importância.
Levanto-me e caminho no pequeno espaço que nos aconchega, quando te pergunto sobre a vista, ouço você dizer que posso olhar se quiser e não hesito. Saio me equilibrando no meu maior salto para observar a vista da sacada, vejo a cidade sob nossos pés. Tento adivinhar onde fica cada lugar e ouço você, um pouco distante, rindo do meu (inexistente) senso de direção. Sem nenhuma vergonha na cara, uso minha desculpa favorita que é detestada por você e logo ouço que preciso saber um pouco de tudo. E a nossa conversa atravessa o ambiente.
Volto, notando que você ligou a TV num filme que desconheço e outra vez aconchego nosso corpos como se nosso ninho fosse e no fundo, sinceramente, acho que é. Abaixo-me e solto o fecho das minhas sandálias, noto que seus olhos observam os meus pés, você comenta como são lindos e pequeninos. Agradeço e logo te abraço, como se abraçasse o mundo e deixo que nossos narizes se toquem num delicado beijo de esquimó. Num puro golpe de ousadia ou talvez de intimidade, jogo minhas pernas sobre seu colo e sinto seus lábios sorridentes tocando os meus. Neste ínterim, meus olhos já se fecharam. Fico receosa de outra vez bater sua cabeça no sofá, então envolvo meus dedos nos teus cabelos fartos, penso com um sorriso singelo que depois seu cheiro ficará ali, na minha pele, fazendo companhia quando sua presença se ausentar.
Em meio aos nossos carinhos, perdemos a noção do tempo e quando dou por mim, já perdi “minha hora”. Levanto correndo, me soltando do seu abraço e te apresso também. Enquanto calço minhas sandálias ouço suas tentativas de me convencer a ficar. Sorrio, enquanto percebo que a vontade de não ir embora está quase vencendo a necessidade de voltar. Outra vez te apresso enquanto espero na porta, noto você fazendo hora e sinto um misto de sensações: ao mesmo tempo em que quero te punir, desejo te mimar. Ameaço chamar o elevador, mesmo sem você e noto seu leve incômodo com a minha impaciência, os seus rodeios se multiplicam, assim como meus sorrisos, enquanto você ganha tempo. Finalmente você vem, abre a porta e caminhamos até o elevador. Dentro dele, nos beijamos novamente. Já no carro, faço questão de escolher o melhor caminho para aquela hora, aproveito para comentar a playlist que toca no seu carro. Já na porta de casa, nos beijamos como se adolescentes fossemos. Antes de te deixar ir, peço que me avise quando chegar e entre um selinho e outro,  peço também que se cuide. E depois, passar a madrugada trocando mensagens com você, sem querer me despedir. Eu te escreveria para dizer que você não precisa ter medo se eu não achasse que todos eles são completamente compreensíveis. No entanto, agora que todos os meus textos cheios de clichês são pra você, isso não mais adiantaria. Então, eu só queria que você soubesse que nenhum clichê é clichê por acaso.



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