O dia seguinte.

12 de agosto de 2010
O telefone toca, ela demora para atender e quando olha para a bina, sente o coração palpitar, era ele. E eles não se falavam há tempo, o que para ela era um crime. Ela atende, com a voz de sono, mas tudo dentro de si parecia bem atento:

— Alô?! É você mesmo?!

— Não, cabrita… quem mais poderia ser?

— Não sei, a gente não se fala há tanto tempo, talvez alguém ligando pra dizer que você saiu do coma.

— Eu nunca estive em coma!

— Não é o que parece. Mas, diz o que você quer? Me acordou…

— Dizer bom dia?

— Não, você não é do tipo Gentleman.

— Eu sou de que tipo?

— Do tipo que não liga no dia seguinte. Do tipo que não manda flores. Do tipo que acha que não sabe amar. Do tipo que bebe aos fins de semana e não quer ir a casa da sogra aos domingos. Do tipo que facilmente me deixaria pra ver futebol…

— Letícia, por que está dizendo isso?

— Porque é verdade. Você sabe disso.

Os dois respiram fundo e ela fica sem saber o que dizer, pensa por alguns segundos e resolve começar:

— Mas, bom dia. O que é que você quer?

— Nada.

— Só “nada” mesmo pra fazer com que você me ligue, Frederico.

— Você está na TPM?! Só pode…

— Só porque resolvi ser sincera? Não seja cínico!

— Eu não sou cínico!

— Você é… e está sendo agora.

— Lelê, não fala assim…

— Eu falo.

— Eu nunca menti pra você.

— Porque eu faço poucas perguntas.

— Quer desligar?

— Se eu quisesse, pode apostar que já o teria feito.

— Então o que é que você quer?

— Usar seu sobrenome.

— Depois de tudo isso? Eu sou cínico, mas você é maluca!

— Eu sou, é. É isso, devo ser… MA-LU-CA! Obrigada por me lembrar. Ninguém em sã consciência amaria você.

— Disponha, bebê.

— Não me chama assim… você sabe como isso sempre acaba.

— Não, acho que tem algo que você não sabe.

— O que é, Fred?

— Isso nunca acabou.

Ela se cala. Ele continua.

— Nunca vai acabar.

Ela repete quase muda, sem forças:

— Nunca vai acabar?

— Nunca.

— O que é que a gente está fazendo aqui, então?

— O que a gente sabe.

— O que é que a gente sabe?

— Se amar, brigando.

— É.

— É o quê, Letícia?

— Você é um canalha.

— Ahn?

— Um canalha. É o que você é.

— Um canalha?!

— Sim, você sabe. Você é sujo. Você sabe exatamente como me manipular, me faz fazer as coisas da forma como você quer e isso sem usar muitas palavras. Você sabe quando pode falar grosso comigo e quando deve usar o tom manso. Você sabe todas as cartas do meu jogo, você as marcou. Eu fico sem o que fazer e é assim sempre. Você é tudo isso que eu disse. Um canalha, cínico, podre… mas sabe amar.

— E te amo, maluca.

— Eu sei. Ou não sei, mas isso não me importa.

— O que importa então, Letícia?

— O que importa é que eu te amo. Porque você é humano.



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Letícia ataca mais uma vez, né? Lembro que quando eu postei um texto "dela" pela primeira vez a Nanda me disse que ela deveria voltar mais vezes, demorou algum tempo - eu diria até que -, muito tempo. Mas, ela está de volta. Talvez seja só mais uma dessas mulheres que amam um homem de verdade, sem muitas idealizações e aceita (do seu jeito) o jeito dele. Ou apenas eu mesma, a (Joyci) Letícia Dias. haha.

Vou responder os comentários dos dois últimos posts, obrigada aos que nunca abandonam o Pequena, é por vocês que eu apareço, ainda que de vez em nunca e não tranco os comentários. Vocês são o apoio, sempre.

Um beijo enorme aos que me lêem,

Pequena.

5 Comentários, mas sempre cabe mais um. :):

Francielle Couto Stos. disse...

Que texto mais lindo! Adorei a Letícia, sério. *-* Ela é firme, decidida, e apaixonada. (L) Vou procurar o outro texto referente a ela. Parabéns, Joy! :D Beijos, e se cuida!

Debbys disse...

ah, é uma delícia ler seus textos e histórias.... adorei!!! acho que todas deviam ter uma letícia dentro de si! xDDD

bjinhusss

Ianara Fernanda disse...

ameeeiii a Letícia. Reflete muitas de nós mulheres que possuem um jeito diferente de amar.

Erica Ferro disse...

Ah, você é um doce, Joyci!
Até nesses posts mais "revoltadinhos", você permanece doce.

Amor maluco, esse do post. Mas é bonito, é engraçado e eu acho que gostaria de amar assim alguma vez na vida.

Beijo.

Luisa disse...

Lindíssimo ! Belo texto, com fortes wtf. haha
aaah, ta mt lindo e parabéns pelo blog em si! vou passar a ler mais! hihi
beijinhos :*