Foi embora, mas eu nunca disse Adeus.

5 de maio de 2009
Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Clarice.



Acho que estou em pedaços, ando procurando meus cacos por aí. Mas eles estão tão dispersos que não os posso ver, dói tanto ver meus pedaços lançados ao leo. Por isso estou indo embora, vou me reconstruir em outro lugar, no alto da pedra quem sabe ou talvez no fundo do mar, ainda não escolhi. Não importa a direção, qualquer caminho pode me levar a algum lugar, é estou indo. Porque não tem que fazer sentido, tem que ser. E quem sabe do que eu estou falando? Como se acham no direito de entender por mim o que eu não entendo? Isso me dá medo, isso me aterroriza, isso não faz parte de mim. E o que não é meu, eu não quero.

3 Comentários, mas sempre cabe mais um. :):

M. disse...

Falou tudo.

Fernanda Rodrigues disse...

Acho que você sabe melhor do que ninguém que ontem eu também estava me sentindo aos pedaços. Junte-os, amor.. Junte-os. A vida pede que a gente se reconstrua dia após dia, não é mesmo?

Debbys disse...

Nha.. segunda vez que leio sobre pedaços da pessoa.. isso é tão triste... espero que vc arrume uma cola bem boa pra juntar td de novo xD
bjss